16/09/2026

Especialista alerta para risco de acidentes por aspiração em crianças

De 2024 a 2025, o Complexo Hospitalar de Urgência e Emergência registrou mais de 2.300 atendimentos por acidentes com corpo estranho em crianças

Um dia comum para uma família da cidade de Padre Paraíso, no Vale do Jequitinhonha, se transformou em um pesadelo após um acidente por aspiração - quando um objeto ou alimento passa pela via respiratória. Heitor Gomes, de apenas 11 meses, brincava na cozinha, ao lado dos pais, quando aspirou um grão de feijão. 

“Foi muito rápido. Quando eu vi que ele tinha colocado algo na boca, já corri para tirar e não deu tempo. Ele aspirou um grão de feijão que foi parar no pulmão”, conta Cleidiane Gomes, mãe do menino. 

Evolução rápida dos sintomas

Logo após o acidente, o bebê não manifestou reações adversas. Mas passadas cerca de 10 horas, apresentou dificuldade respiratória e chiado no peito, o que levou a família a procurar atendimento médico e receber o diagnóstico de infecção por aspiração. 

Com o agravamento rápido do caso, Heitor foi transferido de aeronave para Governador Valadares, e, em seguida, para Belo Horizonte, no Hospital João XXIII (HJXXIII) - referência de urgência em Minas Gerais, onde passou por exames detalhados e procedimentos de emergência, como broncoaspiração. 

Rodrigo Veloso, cirurgião torácico no HJXXIII, realizou o primeiro atendimento do Heitor e destaca a importância de buscar assistência em uma unidade de urgência. Segundo ele, prostração, chiado repentino e dificuldade respiratória são os sintomas mais comuns, que podem indicar uma aspiração em crianças e a necessidade de buscar ajuda.

“Uma vez que tenha a suspeita de aspiração, o primeiro passo é ir para o pronto atendimento. Caso esteja em um local distante, uma alternativa emergencial é a manobra de descompressão, mas que requer instrução para que seja feita de maneira correta”, ressalta.

Atenção aos objetos e alimentos

O médico lembra ainda que acidentes acontecem, mesmo com atenção dos responsáveis pela criança, e alerta que casos dessa natureza podem ser comuns nessa faixa etária. “A vigilância deve ser maior especialmente em crianças na faixa dos dois anos de idade, que estão na fase oral, em que a boca é o principal órgão sensitivo para explorarem o ambiente. O cuidado deve ser redobrado porque ela está conhecendo o mundo e vai levar o objeto até a boca como forma de curiosidade”, afirma o especialista.  

Outra forma de diminuir os riscos de acidentes por aspiração, é evitar alimentos como pipoca e outros grãos, até os quatro anos de idade. Também é importante prestar atenção na forma como a criança faz as refeições. “É interessante monitorar para que a criança não se alimente em movimento ou brincando, pois aumenta a chance de engasgo ou aspiração”, enfatiza o cirurgião. 

Referência no atendimento  

Inicialmente, Heitor deu entrada no Hospital João XXIII e, em seguida, foi transferido para o Hospital Infantil João Paulo II, que também faz parte do Complexo de Urgência e Emergência da Rede Fhemig. A unidade hospitalar infantil é referência no tratamento de síndromes respiratórias agudas e oferece equipe multidisciplinar para atendimento e acompanhamento de casos graves em todo o estado. 

“Além de técnica, todos os profissionais tiveram muito carinho e cuidado com meu filho, o que fez muita diferença ao passar por um momento tão difícil. Ir embora para casa com ele totalmente recuperado depois de 27 dias de uma internação grave, é uma vitória”, agradece Cleidiane, mãe do pequeno Heitor.

Esta matéria foi produzida em período de vedação eleitoral e publicada após seu encerramento.

Por Joice Lourenço 

Foto: Pedro Chagas