11/09/2026
Primeira captação de órgãos do Hospital Eduardo de Menezes quebra paradigmas e mostra amadurecimento das equipes nas unidades da Rede Fhemig
Procedimento inédito na história da unidade, referência em doenças infectocontagiosas, reforça a importância de uma mudança de cultura no ambiente hospitalar para ampliar as notificações em Minas Gerais
O Hospital Eduardo de Menezes (HEM), da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), realizou a primeira captação de órgãos de sua história. O procedimento, realizado em 11 de setembro,representa um marco para a unidade e fortalece a participação da Rede Fhemig no sistema estadual de transplantes, além de mostrar que hospitais de diferentes perfis assistenciais podem contribuir para o processo.
Para o diretor do MG Transplantes, Omar Lopes Cançado, a captação chama a atenção para o progresso das unidades da Fhemig na identificação de potenciais doadores e na qualificação das equipes, o que consequentemente contribui para o aumento das notificações. “A primeira doação realizada pelo HEM demonstra o avanço da Rede no conhecimento, sensibilização e no fortalecimento da cultura da doação de órgãos nas unidades”, afirmou.
O diretor destacou que a experiência reafirma a necessidade de reconhecer as oportunidades de doação em diferentes unidades hospitalares.
“Não existe hospital sem perfil para a doação. Toda unidade pode participar desse processo, desde que disponha de profissionais preparados para conduzir adequadamente as etapas necessárias”, explicou.
Preparação das equipes e atenção às oportunidades
Segundo o médico intensivista e coordenador do Centro de Terapia Intensiva (CTI) do HEM, Aguinaldo Bicalho Júnior, que preside a Equipe de Doação de Órgãos e Tecidos (e-DOT) da unidade e participou da captação, o procedimento foi precedido por um processo de estruturação e capacitação dos profissionais.
Com a formalização da e-DOT no hospital, em 2025, e a participação dos profissionais em cursos e capacitações, começou a se mudar a percepção de que o perfil epidemiológico do hospital, marcado pela predominância de doenças infectocontagiosas, não seria adequado à captação de órgãos.
“Partimos praticamente do zero. Crescemos profissionalmente e ampliamos nosso olhar sobre a doação de órgãos, estando mais preparados para reconhecer e conduzir essa possibilidade, que pode representar uma nova oportunidade de vida. Foi uma quebra de paradigmas”, relatou Aguinaldo.
Quando surgiu a possibilidade de doação, profissionais do CTI, da e-DOT, do bloco cirúrgico e da direção assistencial se mobilizaram para viabilizar o procedimento. A integração com o MG Transplantes, por meio da Organização de Procura de Órgãos (OPO) Metropolitana, também foi fundamental para a efetivação da captação.
“Nas 48 a 72 horas que antecederam a doação, houve um empenho muito grande de todos, tanto na parte diagnóstica quanto na manutenção do doador e na organização dos procedimentos necessários. Foi fundamental que todas as etapas acontecessem no tempo adequado”, destacou o médico intensivista.
Para Omar, a experiência reforça ainda a importância da atuação integrada entre as instituições. “O trabalho conjunto evidencia a importância da articulação entre as equipes hospitalares e o sistema estadual de transplantes, de modo a garantir que potenciais doadores sejam identificados e que o processo ocorra com segurança, respeito e rigor técnico”, finalizou o diretor.
Por Anni Sieglitz
Imagens: Isabella Diniz
*Matéria publicada após o período eleitoral

