30/09/2026
Ações pelo Setembro Verde na Rede Fhemig aproximam profissionais e sociedade da causa da doação de órgãos
Programação buscou ampliar o conhecimento sobre transplantes e qualificar as equipes que atuam no processo
Durante o Setembro Verde, unidades da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), que integram a Rede Estadual de Transplantes, promoveram uma série de ações para ampliar a conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos, qualificar os profissionais, estimular a troca de experiências e fortalecer a atuação integrada das equipes envolvidas. Ao longo do mês, foram realizadas blitzes educativas, palestras, simpósios e capacitações em diferentes unidades da Fhemig e em outros espaços da capital e do interior.
As iniciativas também contribuíram para aprimorar diferentes etapas do processo, desde a importância de manifestar, ainda em vida, o desejo de ser doador para a família, passando pela identificação adequada de potenciais doadores, até a abordagem e o acolhimento dos familiares diante da possibilidade de doação.
Vidas Transformadas
Em referência ao Dia Nacional da Doação de Órgãos (celebrado em 27 de setembro), O MG Transplantes promoveu, no dia 25, uma ação de conscientização no Parque Municipal de Belo Horizonte. A população foi convidada a participar da mobilização, escrevendo mensagens de carinho e esperança para pessoas que aguardam por um transplante. A iniciativa também reuniu pessoas transplantadas, que compartilharam suas histórias e mostraram como a doação de órgãos pode significar uma nova chance de viver.
Entre os participantes estava Maria Eduarda Porto, a Duda, de 18 anos. Transplantada renal há seis anos, ela enfrentou uma longa trajetória de cuidados e 19 cirurgias antes de receber o transplante, em 2020, que marcou uma nova etapa em sua vida. Nadadora desde pequena, Duda já conquistou diversas medalhas e, em outubro, participará dos Jogos Pan-Americanos para Transplantados, no Uruguai. Durante o evento, ela compartilhou sua experiência e falou sobre a gratidão à família que autorizou a doação.
“Se eu sou uma paciente transplantada, eu recebi um sim. Sou muito feliz e muito grata à família que disse sim à doação de órgãos”, finalizou.
Para a médica nefrologista Cristiane Andrade Yunes, da OPO Metropolitana do MG Transplantes, que participou da atividade e tirou dúvidas dos presentes, esses encontros são importantes para atualizar os profissionais e aprimorar as práticas relacionadas à doação de órgãos.
“O Setembro Verde é o mês em que chamamos mais atenção para esse assunto, mas o trabalho precisa ser contínuo, todos os meses do ano. Precisamos investir na educação, desde a formação dos profissionais de saúde, para que eles já entrem no mercado com essa visão sobre a importância da doação”, ressaltou.
Esforço coletivo por menos espera
O 1º Encontro das Equipes de Captação de Córneas do Banco de Tecidos Oculares do HJXXIII, realizado em 18 de setembro no auditório do Hospital João Paulo II (HIJPII), reuniu profissionais envolvidos nas diferentes etapas da doação e do transplante de córneas. A iniciativa promoveu a troca de experiências e a discussão de desafios da captação, com palestras, apresentação de indicadores e um Circuito de Experiências, que permitiu aos participantes vivenciarem, em pequenos grupos, situações relacionadas à abordagem de familiares, identificação da córnea e acondicionamento do globo ocular.
Na abertura, o diretor do MG Transplantes, Omar Lopes Cançado, apresentou um panorama dos transplantes de córneas no estado e destacou o crescimento dos procedimentos desde a pandemia. Até agosto, Minas Gerais havia realizado 799 transplantes e a expectativa é chegar a cerca de 1,4 mil até o fim de 2026.
“A expectativa é que esse ano a gente consiga bater o recorde histórico de transplantes de córneas, mas ainda há muito caminho para ser percorrido para zerarmos a fila, que é o nosso grande objetivo”, destacou o diretor.
Por Anni Sieglitz
Imagens: Pedro Chagas
*Matéria publicada após o período eleitoral

