10/06/2026

Doação de leite materno contribui para recuperação de bebês prematuros e ajuda a salvar vidas diariamente

Mães e profissionais do Banco de Leite Humano da Maternidade Odete Valadares compartilham histórias que mostram como este gesto de solidariedade transforma vidas

Uma quantidade mínima de leite materno já pode fazer a diferença na recuperação de um bebê prematuro. No Banco de Leite Humano (BLH) da Maternidade Odete Valadares (MOV), pertencente à Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), a equipe multiprofissional trabalha incansavelmente para manter os estoques desse alimento essencial sempre estáveis e garantir mais chances de vida aos recém-nascidos internados na UTI Neonatal. Para que esse cuidado continue chegando a quem mais precisa, a doação de mães com leite excedente é fundamental.

“O leite materno é mais do que um alimento: é um verdadeiro medicamento para esses bebês”, destaca a coordenadora do BLH, Gabrielle Ladenthin. Segundo ela, a demanda do Banco de Leite Humano é constantemente maior do que a quantidade arrecadada, principalmente devido às necessidades específicas dos recém-nascidos internados. “Nos primeiros dias de vida, o colostro, por exemplo, que é o primeiro leite produzido pela mãe, é essencial para os bebês recém-nascidos. Mas todo leite humano faz diferença, e toda doação é indispensável”, ressalta. Gabrielle esclarece um mito comum entre mães que têm dúvidas sobre a doação. Segundo ela, doar não prejudica a amamentação do próprio bebê, e sim o contrário.

“Quanto mais estímulo, seja pela amamentação ou pela retirada para doação, maior é a produção de leite”, explica a profissional” 

Os dois lados do cuidado

Para as nutricionistas do BLH, Danielle Matos e Cristiane Ferreira, o trabalho vai além da rotina profissional. As duas compartilham a mesma experiência: a de ajudar a salvar vidas também como doadoras. Danielle, mãe da pequena Luana, hoje com três anos, conta que o desejo de doar surgiu justamente por conhecer de perto, como profissional da área, a importância de cada gota de leite materno recebido pelo BLH.

“Cada potinho que eu entregava era muito especial. Eu imaginava para qual bebê aquele leite iria, quem ele ajudaria a fortalecer. A gente conhece os recém-nascidos daqui, sabe da luta deles, então isso mexe muito com o coração”, relembra, emocionada. 

Ela conta que acompanhava até mesmo o processo de análise do leite doado. “Existe muito amor e cuidado envolvidos em cada etapa. Ser doadora foi uma das experiências mais gratificantes da minha vida”, afirma Danielle.

Hoje vivendo essa experiência pela primeira vez, Cristiane se emociona ao falar sobre o filho Miguel, de 10 meses, e sobre a realização de um desejo antigo. “Sempre sonhei em ser doadora quando tivesse meu filho Eu acompanhava os bebês na neonatologia e na promoção do aleitamento materno; agora estou do outro lado, nutrindo meu filho e ajudando outras mães. É muito emocionante perceber que aquilo que produzimos juntos pode fazer diferença na vida de outras famílias”, finaliza.

Rede de acolhimento

A depiladora Alice Rodrigues, de 38 anos, também vivenciou a importância da doação de leite. Mãe do pequeno Heitor Henrique, nascido há uma semana na MOV com síndrome de Down, ela enfrentou dificuldades para amamentar nos primeiros dias após o parto. Alice, que descobriu a síndrome do filho somente em seu nascimento, encontrou no BLH o suporte necessário para garantir a recuperação do filho, que está internado na UTI por um problema cardíaco. “No começo, por causa de tudo que eu estava vivendo, não consegui amamentar. Com o leite doado, o Heitor mamou, ganhou peso e melhorou muito”, relata. Alice também recebeu acompanhamento da equipe multiprofissional, que a ajudou no processo de amamentação e ordenha. “Sem o apoio do BLH, teria sido muito difícil”, afirma.

Como doar?

O cadastro pode ser feito de forma simples, pelo aplicativo MG App Cidadão, pelo Portal MG ou pelos telefones (31) 3298-6008 ou 6092. Não é preciso ir até lá: após o cadastro, a equipe multiprofissional realiza todo o acompanhamento e vai até a casa da doadora para orientá-la e buscar os frascos com o leite coletado. “Um único vidro de 250 ml já é suficiente para ajudar a salvar muitas vidas”, destaca Gabrielle.

Por Anni Sieglitz